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A cruzada cega da mídia pelo Teto de Gastos

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Jornais atacam Bolsonaro mas, em defesa da oligarquia financeira, colocam-se à direita do presidente. Sem olhar crítico aos fatos, submetem-se às receitas que mantêm o país em marcha ré. Pouco importa a Economia real, desde que mercados triunfem

 

Anos atrás, o programa do Gugu, no SBT, trouxe uma falsa entrevista com um membro do PCC. Nele, o suposto miliciano ameaçava o governador do Estado e outras autoridades. Descobriu-se que a entrevista era uma montagem. O programa foi autuado em cima de uma lógica férrea:

 

  1. Se fosse notícia falsa, espalharia o pânico em cima de uma falsificação.
  2. Se fosse verdadeira, concretizaria a chantagem.

 

De fato, a chantagem só se consuma quando há a publicidade da chantagem. Porque a chantagem é uma ameaça e, no caso do PCC, a ameaça dependia diretamente da publicidade recebida.

 

Mal comparando, é o que ocorre com o terrorismo em torno da Lei do Teto.

 

Hoje, na primeira página de O Globo, há uma ameaça estendida.

 

A notícia tem hierarquia. Títulos, chamadas de primeira página, têm peso muito maior, ou seja, impactam muito mais o público, do que o conteúdo em si.

 

Como se sabe, o governo Macri, na Argentina, eleito sob aplauso geral do mercado e da mídia, levou o país a uma crise imensa, especialmente devido à escassez de divisas externas. A Argentina quebrou por falta de dólares, o que levou a uma explosão do câmbio, que gerou uma enorme inflação e desarranjou o tecido econômico e social do país.

 

A analogia com o Brasil não se sustenta já que o país, desde o governo Lula está sentado em cima de reservas cambiais robustas que preveniram as crises recorrentes desde os anos 80. Então, como estabelecer essa comparação?

 

Simples: recorre-se ao “suponhamos que” e estará resolvido. Suponhamos que o ponto inicial da crise da Argentina foi o descontrole fiscal e, pronto!, já podemos montar nossa analogia.

 

Um parágrafo interno do artigo ameniza a manchete.

 

“Isso não significa que o Brasil vá quebrar como a Argentina em tão pouco tempo, mas indica que há uma tendência de deterioração fiscal que pode acabar em descontrole, como no caso argentino, e com a consequente ruína política do presidente”.

 

A mensagem do PCC era a de que “ou solta nossos líderes ou mataremos todos”. A mensagem do “mercado” é, ou respeita o Teto ou haverá o destino manifesto de repetir a Argentina de Macri. E sua voz chegou ao poder através da pitonisa Malu.

 

Pouco importa se o manifesto do PCC é falso ou se não há relação causal entre estouro do teto e inflação. O que importa é o efeito da ameaça, que não será amenizada por um parágrafo com três linhas. É a mesma coisa que o jacaré da vacina, de Bolsonaro. Se o distinto público acreditar, pouco importa se a relação é falsa. Basta acreditar, para se atingir o efeito de fugir da vacina.

 

No caso da Lei do Teto, se não houvesse a chantagem explícita da mídia, não haveria efeito nenhum sobre a inflação.

 

O jogo da inflação

 

Vamos por partes, para entender o jogo.

 

Qualquer teoria, para ser correta, precisa passar pela “prova do pudim”. Isto é, conferir o que se passa no mundo real, se os agentes se comportam como a teoria preconiza.

 

Há três universos a serem analisados: o das moedas em circulação, o da dívida pública e o dos bens e salários da economia. Para financiar o estouro do teto, o governo tem dois caminhos:

 

  1. ou emitir mais moeda ou
  2. emitir mais títulos.

No primeiro caso, o governo não paga juros; no segundo caso, paga.

 

Vamos ao segundo esqueminha: os três mecanismos que pressionam os preços, provocando inflação.

 

Mecanismo 1 – Custos de produção.

Mecanismo 2 – Demanda.

Mecanismo 3 – Expectativas.

 

Para emitir mais títulos, o governo aumenta os juros. Aumentando os juros, aciona o Mecanismo 1, o dos custos.

 

Vamos a uma continha bem simples para exemplificar.

 

Uma empresa gasta R $500 para produzir, R $1.000 para adquirir matéria prima. Como precisa adquirir a matéria prima antes de receber pela venda, toma crédito para capital de giro. Se paga 2% ao mês e o giro do estoque é de 3 meses, o custo será de R$ 61,21. E o custo final será de R$ 1.561,21.

 

Caso a taxa de juros aumente para 4% ao mês, o custo financeiro aumentará para R $124,86 e o custo final para R $1.624,86.

 

Suponhamos que sua margem de lucros seja de 10% e ela produza 1.000 produtos. No primeiro caso, o preço final será de 1,72; no segundo, de 1,79, um aumento de 4,08% unicamente devido ao fator financeiro. Obviamente não somamos os aumentos das matérias primas também influenciadas pelo custo financeiro.

 

Custo de produção 500,00 500,00 500,00 500,00
Matérias prima 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00
Custo do estoque 2% 4%
Giro 3 61,21 3 124,86
Custo 1.561,21 1.624,86
Margem 10% 156,12 10% 162,49
Preço 1.717,33 1.787,35
Produção 1.000,00 1.000,00
Preço de venda 1,72 1,79
Aumento 4,08%

 

Aí se entra no Mecanismo 2, a demanda. Ou seja, será que haverá consumidores em condições de pagar por esse aumento?

 

Se não houver, a única alternativa será reduzir a margem de lucro do produtor. Ela terá que cair para 6,08% para manter o mesmo preço do produto. Se não for suficiente, terá que derrubar mais ainda a margem. Se, ainda assim, não conseguir vender, quebra.

 

Pior: essa reação à alta de juros não se restringe à empresa em si, mas a toda a economia. Devido ao aumento de juros, toda a economia estará pior do que no momento anterior. Então não basta voltar aos preços do Momento 1 para conseguir colocar seus produtos. O desconto terá que ser maior, ou então, não se vende.

 

E ainda não se incluiu na história o Mecanismo 3, as expectativas. Incluindo, viramos todos jacarés.

 

Eu sei que não há demanda para alta de preços. Mas se o jornal diz que os preços vão aumentar, se eu não antecipar meus aumentos, serei apanhado no contrapé e não conseguirei repor os estoques. Quanto mais vender, maior será o meu prejuízo na hora de repor os estoques.

 

Quando Malu Gaspar diz que o estouro da Lei do Teto levará o Brasil a repetir a Argentina, pouco importa se a afirmação tem ou não base científica. Se a maioria acreditar, a profecia se realiza. E irão tratar de aumentar seus preços, mesmo vendendo menos, simplesmente porque acreditam que todos os preços estarão mais altos quando for repor os estoques. Então preferem aumentar os preços – e vender menos – do que manter os preços e as vendas.

 

Os juros e o jacaré da vacina

 

Assim como a vacina não torna as pessoas jacaré, a emissão de moedas não gera inflação em si. Sem a intervenção de Malu Gaspar, isso só ocorreria nas seguintes circunstâncias:

 

  1. A economia já está aquecida.
  2. A emissão provoca uma expansão no crédito, de empresas querendo ampliar ainda mais a produção.
  3. Com a economia aquecida, a ampliação da produção aquece mais ainda, impacta os salários e as matérias primas gerando inflação. E por que a inflação? Justamente porque, por suposto, a economia está aquecida, isto é, vendendo muito e permitindo o repasse dos preços.

 

Leia matéria na íntegra no site do Outras Palavras

 

 


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