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A convenção de Bolsonaro: barulho só o da plateia

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Com metade pelo menos dos 12 mil lugares do Maracanãzinho ocupados, a convenção que no domingo oficializou a candidatura de Bolsonaro à reeleição pelo PL, o Partido Liberal, fez menos barulho, afinal, que muitos de seus pronunciamentos para meia dúzia de pessoas no cercadinho do Palácio da Alvorada.

 

Em seu discurso, ele seguiu a maior parte do tempo o roteiro concebido pelo pessoal de marketing do partido e do centrão, um embutido de frases feitas do mais medíocre do pensamento neoliberal, tipo “Estado forte, povo fraco; povo forte Estado fraco”, e mesmo ao atacar Lula e o Supremo nada disse que já não tivesse dito antes.

 

Nem a convocação de manifestações de direita para o 7 de setembro foi novidade. Novidade pode ter sido o desafio a Lula para um debate, “caso ele compareça”. Curioso de fato, seria Bolsonaro comparecer pela primeira vez a um debate, ele que nunca se expõe sequer ao diálogo mais corriqueiro com qualquer interlocutor.

 

Antes de Bolsonaro falou apenas sua mulher, Michelle, incumbida da missão impossível de tentar reduzir a rejeição a seu marido na maioria do eleitorado feminino. Michelle bem que tentou e sustentou bravamente ter sido Bolsonaro o Presidente que mais fez pelas mulheres no Brasil. Mas teve de recorrer, afinal, a uma afirmação que não soaria convincente a não ser numa cerimônia religiosa absolutamente naif e primitiva: a de que seu marido é o escolhido e Deus para ganhar a eleição.

 

A ex-Ministra Damaris, a dos meninos de azul e as meninas de rosa, afirmou no início do governo que tinha visto Jesus numa goiabeira. Amiga íntima de Michelle, teria sido Damaris a receptora dessa informação?

Examinados os fatos objetivamente, barulho mesmo na convenção, só o do vozerio que a plateia produziu, convocado e administrado por um mestre de cerimônias experiente na regência de públicos amestrados. A convenção foi, na verdade, um anticlímax, a julgar pelas escassas reações que a mídia registrou. De outras vezes, uma ou outra frase ou decisão de Bolsonaro provocaram tensões e expectativas, agora não, apenas a sensação de cansaço que a simples presença dele desperta.

 

Muito mais reações causou outro dia a memorável reclamação de Bolsonaro quando um jovem reclamou da impossibilidade de conseguir emprego. Bolsonaro protestou que o governo não é empresário, não cria empregos. E culpou o jovem, responsabilizando-o:

 

— Tem que correr atrás!

 

Por mais que os jovens corram atrás, o fato, registrado no mesmo dia pela mídia, é que, no primeiro trimestre de 2020, a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos atingia 26,3%. No primeiro trimestre de 2021, ela subira para 30%, mas no de 2022 caíra para 22,8%.

 

Essa queda de 30 para 22,8% pode ter sido substancial, mas 22,8% de desemprego entre os jovens é alarmante e, para um candidato à Presidência, suicida. Bolsonaro, entretanto, poderia ter aproveitado a evolução desses números para convencer o jovem desempregado de que as coisas melhoravam graças a ele e que seria questão de tempo aparecer emprego para quem corresse atrás. Mas ele não devia saber sequer que o desemprego entre jovens diminuíra consideravelmente. 

 

No automatismo paranoico de quem sempre afasta de si qualquer responsabilidade, Bolsonaro preferiu culpar o desempregado por seu desemprego, assim como culparia a mulher vítima de assédio ou violência sexual pelo comprimento de sua saia.

 

Virada a página da convenção, ele vai começar a semana tendo de responder à notícia publicada domingo sobre o livro O negócio do Jair: A história proibida do clã Bolsonaro, da jornalista Juliana dall Piva, que será publicado em setembro e faz revelações sobre André Siqueira Valle, ex-cunhado de Bolsonaro que trabalhou em seu gabinete na Câmara dos Deputados e foi demitido por não devolver os 90% de seu salário que o cunhadão exigia…. 

 

 

(*) Por José Augusto Ribeiro – jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.

 




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