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A banalidade do mal

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Foi a grande filósofa do século XX, Hannah Arendt, quem cunhou esta expressão.

 

Graças à sua acurada visão do julgamento do criminoso nazista Eichmann em Jerusalém que ela observou uma pessoa normal ser condenada por crimes hediondos como aqueles que ele cometeu, enviando pessoas de trem para as câmaras de gás.

 

Dias atrás vimos um soldado americano branco matar asfixiado o negro George Floyd.

 

Um mal que recebeu felizmente a resposta à altura que a Humanidade tinha que fazer, com manifestações antirracistas pelo mundo afora.

 

No Brasil, uma ricaça branca manda a empregada negra passear com seu cachorro de estimação e deixa o menino Miguel de 5 anos sozinho num elevador a caminho da morte.

 

No Rio, a polícia assassina, irmã siamesa das milícias entra nas comunidades e num mês mata 167 pessoas, sendo que João Pedro foi o caso mais emblemático.

 

Em Gravataí um trabalhador pardo é acusado por brigadianos e policiais como criminoso e autor de tiros contra eles, mas apenas passava pelo tiroteio cruzado e se jogara ao chão para proteger seu filho de 5 anos.

Passou um ano preso inocentemente.

 

E isso passa todos os dias na TV numa naturalidade atroz.

Os criadores de fake news poe medo nas pessoas sobre qualquer coisa, mas falam da Covid 19 como uma gripezinha que pode ser resolvida com cloroquina.

 

Pessoas morrem e famílias sofrem diante de um presidente que fala de um país que não existe.

 

Estes engenheiros do caos de Brasília espalham maldades país afora, destruindo a Natureza, a ciência, a cultura, o saber e a educação.

Milhares estão passando fome, e outros tantos perdendo seus empregos, sem mexer um coração. Sequer da tropa de malucos que assaltou o país.

 

Estamos diante de comportamentos em que salta aos olhos a banalidade do mal.

 

Adeli Sell é vereador do PT em Porto Alegre
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