Pesquisa feita pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) e o Instituto Vox Populi aponta que 84,1% dos alunos do ensino médio nas escolas públicas dizem que estudam menos horas no ensino remoto do que nas aulas presenciais. O levantamento foi feito entre os dias 22 de junho e 8 de julho com 600 estudantes, 1.500 professores e 1.500 pais de alunos no estado.

 

A dificuldade com o ensino remoto pode estar ligada com a falta de acesso à tecnologia, principalmente por alunos pobres e de escolas públicas. Dados da mesma pesquisa revelam que 37,5% dos estudantes têm apenas o celular para estudar.

 

Computador ou notebook é equipamento menos comum entre os alunos, já que 42,5% disseram que não possuem o item em casa.

 

 

“A situação da escola pública no estado de São Paulo já era precária antes da pandemia. Precisamos de uma revolução para recuperar o déficit educacional que já existia e piorou com a pandemia. E qual é o planejamento do governo para isso? Ninguém sabe”, apontou presidente da Apeoesp e deputada estadual (PT), Maria Izabel Noronha.

 

 

O aceso à internet tem sido uma barreira durante a pandemia, segundo especialistas e pesquisas do tema. Um estudo da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), lançada na semana passada, indicou que 25% das cidades classificaram o a conectividade dos alunos como “maior grau de dificuldade”.

 

 

A pesquisa da Apeoesp também perguntou aos participantes se o estado ou a escola ofereceu “condições de acesso a plataformas virtuais de ensino” como equipamentos, pacote de dados de internet e suporte em caso de dúvidas. Dos alunos, 63,2% disseram que não receberam nenhum tipo e apenas 10,1% recebeu ao menos uma oferta.

 

 

Em relação aos professores, 54,3% disseram não ter recebido nenhuma ajuda e 15% receberam alguma oferta.

 

 

Enquanto a maioria dos alunos acredita ter estudado menos horas no online, 49,2% dos professores disseram que trabalharam por mais horas no formato remoto e 17,4% apontaram que a carga horária continua igual.

 

 

Em média, segundo a pesquisa, os alunos entrevistados estudaram cerca de três horas por dia. Nas escolas, um dia de aula costuma durar de 4 a 5 horas.

 

 

Professores (65,6%), pais (63,5%) e alunos (62,5%) concordaram que o ensino remoto prejudica o desempenho do estudantes. Outros 18,7% dos responsáveis afirmaram que é indiferente o formato de estudo para o desenvolvimento do aluno.

 

 

Para Marta Maia, gerente técnica do Instituto Vox, os dados do levantamento mostram na avaliação dos entrevistados “o ensino remoto não é o ideal, mas é a forma possível”.

 

 

A margem de erro da pesquisa é de 2,5% para mais ou para menos entre pais e professores. Já entre os alunos, o índice é de 4%, também para mais ou para menos.

 

 

Volta às aulas presenciais

 

 

A ampliação das aulas presenciais está marcada para acontecer a partir de segunda-feira (2), o tema porém levanta embates desde o ano passado. Para 48,3% dos alunos entrevistados, os governos estadual e municipal não têm oferecido nenhum apoio para que as escolas tenham condições adequadas para as aulas presenciais. Além disso:

 

 

  • 39,7% dos alunos o poder público tem dado apoio;
  • 55,3% dos professores disseram que governo tem dado um tipo de apoio;
  • 39,4% dos pais de estudantes responderam que o estado e a Prefeitura não tem dado nenhum apoio.

 

 

O medo de ser contaminado pela covid-19 com o retorno das aulas presenciais é quase um consenso entre os três públicos. 85,6% dos professores temem a infecção — entre os alunos esse índice é de 76,1% dos alunos e entre os pais, 81,8% estudantes.

 

 

Durante a apresentação dos dados, a presidente da Apeoesp disse que o posicionamento do sindicato continua sendo o mesmo, contrário ao retorno presencial neste momento. “Vamos recorrer da forma que a gente puder recorrer para que não tenha essa volta às aulas.”

 

 

Mais da metade dos professores (56,2%) e das famílias (51,3%) desaprovam o retorno presencial das aulas neste momento. Entre os alunos, o índice ficou em 44,1%.

 

 

“A Apeoesp tem muita clareza que o lugar do professor e do aluno é na escola, mas sobre quais condições? O retorno para os filhos da classe trabalhadora é diferente do retorno de quem não é classe C, mas é A e B. A primeira condição é garantir as duas doses da vacina aos professores”, afirma Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp.

 

Do UOL
Por Ana Paula Bimbati