As origens do Dia Internacional da Mulher remetem às reivindicações das mulheres operárias, que, no início do século passado, pulsavam pelo mundo. Elas defendiam melhores condições de trabalho e inclusão. Relatos e registros históricos dão conta, inclusive, de que foi uma celebração de 8 de março que desencadeou o processo da Revolução Russa em 1917.

 

A luta por igualdade, justiça, inclusão e direitos é compromisso dos setores progressistas. Há que se destacar, no entanto, que sempre que as mulheres alcançam conquistas, elas não favorecem apenas esses setores, mas todas as mulheres – inclusive aquelas que questionam os avanços, ou aquelas que pensam prescindir do feminismo. É visível e há diversas formas de demonstrar que, quando a luta das mulheres triunfa, a cara da sociedade como um todo muda para melhor.

 

Sabemos que nem todas as mulheres estão convencidas de uma agenda feminista de mudanças. Desde a luta por sufrágio universal, era assim. Também não houve unanimidade diante da Lei do Divórcio ou da Lei Maria da Penha, mas hoje são todos grandes consensos que beneficiam o conjunto das mulheres.

 

A demanda por representação e participação política, da mesma forma, encontrou obstáculos nos setores conservadores – que também se expressam entre as mulheres. Não nos surpreendemos, afinal, conhecemos os mecanismos da dominação e da manipulação com que as classes abastadas sempre conduziram o povo. Além da exploração do trabalho, há toda uma cultura patriarcal que naturaliza a submissão das mulheres, ou as relega sempre ao lugar de coadjuvantes na história do mundo e nas suas próprias vidas. Aprendemos sempre, no feminismo, a jamais responsabilizar as mulheres pela opressão que sofrem, mas antes, dedicar a elas nosso olhar solidário e compreensivo, buscando contribuir para que elas possam construir seu próprio senso crítico.

 

De outro lado, também há as mulheres que fazem a consciente opção de representar os interesses mesquinhos e colonialistas das elites. Interesses que desembocam na manutenção da profunda desigualdade social, na concentração da riqueza, na restrição do acesso da maior parte do povo aos bens materiais que ele mesmo produz com seu trabalho. Interesses que se expressam, na atualidade, na reforma trabalhista, na reforma administrativa, na reforma previdenciária, na ideologia de privatizações – todas propostas que impactam decisivamente a vida das mulheres.

 

Hoje, inclusive como produto da luta das feministas, temos mais mulheres no parlamento que na legislatura passada, tanto em âmbito local quanto federal, embora ainda de forma muito minoritária e insuficiente para a construção de uma democracia verdadeira. Das mulheres que ascenderam a esses postos, esperaríamos colaboração com as políticas de igualdade e inclusão, mas não é isso que a realidade nos traz. Algumas delas estão onde estão em acordo com políticas que representam justamente anseios contrários.

 

É por isso que aproveitamos o Dia Internacional da Mulher, essa data tão carregada de história das trabalhadoras, para reafirmar que não basta ser mulher, é preciso ter consciência e compromisso com a vida das mulheres. Sem isso, não poderá haver mudança, somente ilusão.

 

(*) Rosilene Corrêa é professora aposentada, diretora do Sinpro-DF e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)