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EDITORIAL -Ministro da Saúde ignorou alerta sobre mortes

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Pazuello foi avisado de que, sem isolamento, efeitos da Covid-19 durariam até dois anos

 

A imprensa divulgou que, em reunião a portas fechadas no final de maio, já sob a gestão interina do general Eduardo Pazuello, técnicos do Ministério da Saúde alertaram que, sem medidas de isolamento social, os impactos da doença seriam sentidos por até dois anos. Segundo a equipe de Pazuello, “todas as pesquisas” levavam a crer que o distanciamento seria “favorável” até mesmo para o retorno da economia mais rápido.

 

Pois bem, e o que fez o governo Bolsonaro, diante dessa informação?

 

Continuou zombando da medida de isolamento social implantada no mundo todo, convocando o povo, inúmeras vezes, a ir para as ruas, comércio, lazer e até escolas. Ou seja, manteve uma política irresponsável e criminosa de induzir a população a ir para o matadouro, quando deveria trabalhar, vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana, para garantir que a doença não contaminasse nem matasse tanta gente, como está ocorrendo. E que só não está pior porque a maioria dos governadores e prefeitos resolveram implantar medidas de isolamento.

 

O presidente Jair Bolsonaro, devido a essa irresponsabilidade criminosa, é denunciado por crimes contra a humanidade e genocídio no Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia. A iniciativa, protocolada no final de julho, está sendo liderada por uma coalizão que representa mais de um milhão de trabalhadores da saúde no Brasil e apoiado por entidades internacionais.

 

A popularidade do presidente Bolsonaro está em baixa e, por isso, ele luta para evitar o impeachment no Congresso, fazendo acordos com partidos do chamado Centrão, oferecendo cargos que controlam bilhões de reais do orçamento público. O que será uma festa para estes, especialmente, num ano de eleições municipais.

 

Enquanto ele tenta permanecer no cargo, cabe à oposição responsável continuar a luta para afastá-lo, não só por isso, mas também pelas inúmeras denúncias de corrupção dele e dos filhos, bem como pela condução desastrosa da economia.

 

É urgente tirar Bolsonaro da presidência. Os mais de noventa mil brasileiros e brasileiras mortos por Covid-19 não terão suas vidas de volta, mas certamente agradecerão aos que sobreviveram por fazer justiça e por evitar que milhares de pessoas morram nos próximos meses.

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