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20 de novembro: em tempos de pandemia somos resistência e batemos tambor!

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Violações de direitos humanos, deixam nu o Brasil e os demais países que coadunam com a política do preconceito, xenofobia, e quaisquer tipos de intolerância; principalmente, para com os grupos em situação de vulnerabilidade social

 

 

No ano de 2021, completamos 50 anos do dia “20 de novembro”, que foi divulgado pela primeira vez pelo grupo Palmares e grupo Semba, dirigido pelo nosso saudoso escritor e poeta negro gaúcho Oliveira Silveira. Ele foi o proponente deste dia como marco acompanhado da necessidade de transformá-lo em feriado tendo por objetivo, a necessária reflexão sobre as negras questões referentes ao papel ocupado pelo negro na sociedade brasileira. Este dia foi inserido no currículo oficial da educação, trocando a data de 13 de maio – falsa abolição promulgada pela Princesa Isabel – pelo 20 de novembro, em homenagem ao estoicismo e morte de Zumbi dos Palmares. Por isso, no dia 20 instituído como o Dia da Consciência Negra, é estratégico bater os nossos tambores e ecoarmos nossas vozes, afinal, somos negros 365 dias do ano. E este dia é fundamental para uma avaliação sobre os avanços e retrocessos da luta negra.

 

 

Abordaremos a defesa dos interesses dos negros a partir de dois fatores: dos aspectos históricos e dos aspectos culturais, porque a nosso ver, tanto um como o outro são responsáveis pela manutenção do status quo e favorecem a cultura branca ocultando totalmente, os aspectos científicos e culturais originários da evolução social da sociedade global, que cientificamente comprova que o ponto de partida é o continente africano. Pois o livro mais antigo registrado pela humanidade, a Bíblia, traz narrativas que o início dos tempos conforme documentos escritos em peles de animais, data suas origens com mais de 40 mil anos na Etiópia.

 

 

O objetivo desta matéria incide em olhar de novo sobre a contradição de que em pleno século 21, ainda precisemos de políticas específicas para garantir os direitos de grupos apontados socialmente como “minoritários”, por uma elite, essa sim minúscula, que não chega a 3% da população em nossa sociedade, amparada por um sistema acadêmico que sequer reconhece ou legitima aqueles que mantém o seu funcionamento, o povo brasileiro. Sendo assim, a maioria da população erroneamente denominada como “minorias”, não se reconhece proprietária deste país e do território que ocupa, porque os que se denominam “maioria”, na verdade não construíram sequer, um prédio.

 

 

“Os que se intitulam proprietários, na realidade, não passam de usuários dos bens e serviços que diariamente são produzidos pelos operários”

 

 

Diante deste complexo cenário, temos como pretensão que esta massa não conhecedora do funcionamento do sistema, acorde e perceba que não existem milionários dentro de uma visão realista, e que um indivíduo ou sua família, por si só não administram todos os bens que se intitulam donos. Tomamos como exemplo que, para manter uma mansão e seus jardins, se faz necessário um contingente de trinta ou mais funcionários, incluindo nesta relação, serviçais das áreas de gastronomia, copa e cozinha, jardinagem, segurança, manutenção predial entre outros. Portanto, os que se intitulam proprietários, na realidade, não passam de usuários dos bens e serviços que diariamente são produzidos pelos operários, que acabam compartilhando de forma excludente os bens produzidos, passando a “minoria” a apropriar-se deles, tornando os construtores, meros colaboradores ou serviçais neste processo.

 

 

Diante disso, estes serviçais ao assumirem a consciência de que a mansão, os carros e as propriedades são, na verdade, por eles administrados; certamente deixarão de ser submissos neste espaço, passarão a exigir seus direitos e as beneficies que produzem aos “falsos proprietários” cujos bens poderão ser compartilhados por todos. Portanto, esta retomada de consciência plena, não mais servirá a um grupo minoritário e sim ao mundo em que todos nascemos, de maneira mais comunitária e distributiva onde a exploração de suas riquezas seja pertencente a todos, quiçá dando fim ao sistema exploratório da mais valia.

 

 

Estes fatos supracitados nos levam a avaliar o termo “seres humanos”. Pois a prática social legitima este termo no sentido que seremos humanos, ou seja, a nossa condição atual referenda que ainda não atingimos como sociedade o respeito e a ética de forma plena e atenção às necessidades de nossos semelhantes, pois com certeza este ato, certamente nos tornará humanos, na qual seremos humanidade no sentido de sermos unidade. Pois historicamente com a quebra desta ética, sofremos as consequências sobre a necessidade de denunciar neste momento pandêmico, as inúmeras violências contra as mulheres, onde dados apontam que a cada duas horas, uma mulher é morta no Brasil, vítima de violência, e neste contexto, 61,8% são mulheres negras. Se abrirmos este leque de situações e violências, ficaríamos meses aqui escrevendo sobre os absurdos cometidos sobre os homens e jovens negros que vão desde a morte de um menino que caiu de um prédio enquanto a patroa fazia as unhas e a mãe do menino havia ido comprar ração para seu cão; um homem negro asfixiado pelos seguranças no supermercado Carrefour em Porto Alegre na véspera do dia 20 de novembro de 2020; a morte de um jovem em São Paulo, morto na hora de seu almoço há poucos dias…

 

 

Estas e outras violações de direitos humanos, deixam nu o Brasil e os demais países que coadunam com a política do preconceito, xenofobia, e quaisquer tipos de intolerância; principalmente, para com os grupos em situação de vulnerabilidade social. Pois com a chegada da pandemia em nossas vidas, a mais cara questão tem sido a privação do afeto. Pois fomos bruscamente jogados para dentro de nossos lares nos obrigando a um distanciamento social de amigos, familiares, que nos afetou no âmago.

 

 

Diante deste novo cenário, precisamos nos reinventar e criar estratégias de sobrevivência num mundo historicamente excludente, que diante da Covid-19, vimos ser ampliado da exclusão social para a exclusão virtual. E, novamente, constatamos que os mais afetados continuam sendo os povos tradicionais – indígenas, quilombolas, praticantes da religiosidade de matriz africana, etc, que, por conta de questões econômicas/geográficas/territoriais, não conseguiram garantir seus empregos, tampouco acessar seus familiares, amigos, clientes e grupos sociais de forma virtual; sem falarmos que a pandemia contribuiu também no aumento do genocídio do povo negro, da violência de gênero e sexualidade, da dificuldade alimentar e principalmente do difícil acesso ao universo da saúde e educativo.

 

 

Por estas e outras questões que hoje nesta data completamos 50 anos do dia 20 de Novembro, tocamos os nossos tambores a partir do Sul do Brasil para referendar a luta de Oliveira Silveira, Maria Helena Vargas, Zumbi dos Palmares, Dandara, Rute de Souza, Marielle e muitos outros combatentes da luta negra, que nos deixaram como legado, a força ancestrálica dos nossos antepassados desde África. E hoje temos como legado, e colocamos em relevo, a herança cultural material e imaterial, acompanhada do toque dos tambores, do bailado das cores, das danças, da culinária, da religiosidade, enfim, uma gama de elementos acompanhados de resistência ímpar.

 

 

 

“Na condição de ativistas e militantes sociais, e também de pesquisadores negros, seguimos os passos de nossos ancestrais onde urge continuarmos batendo tambor e continuarmos com a as denúncias referentes ao desmonte das políticas públicas neste desgoverno, e a perda de vidas por violências raciais e xenofóbicas”

 

 

 

Neste cenário pandêmico, sabemos que para alguns grupos têm sido historicamente mais pesado do que para outros. Então, que possamos ousar como nos ensinou Paulo Freire, esperançar. Esperançar para que nunca nos falte forças para honrarmos os nossos ancestrais. Pois a luta pelas políticas de ações afirmativas, cotas raciais e outros dispositivos legais em todas as esferas, deve ser coletiva. Várias autoras negras como Cidinha da Silva, Evaristo Conceição, Djamila Ribeiro, e tantas outras tem nos ensinado que só estamos aqui porque nossos passos vêm de longe. Por isso, honramos os que nos antecederam e principalmente o movimento negro gaúcho combativo, que secularmente é pioneiro na conquista de muitas políticas, inclusive na luta pelo feriado do 20 de novembro, como uma necessidade de estreitamento do espaço abissal que separa homes brancos dos negros, mulheres brancas das negras e sucessivamente.

 

 

Na condição de ativistas e militantes sociais, e também de pesquisadores negros, seguimos os passos de nossos ancestrais onde urge continuarmos batendo tambor e continuarmos com a as denúncias referentes ao desmonte das políticas públicas neste desgoverno, e a perda de vidas por violências raciais e xenofóbicas, que já não conseguimos detectar quem mais ceifou vidas, ou seja, o racismo ou o descaso governamental diante dos cuidados para com o Covid-19. Pois até nestes casos observamos que a maioria dos mortos foram os negros previamente acometidos por morbidades.

 

 

Aqui neste espaço, vislumbramos uma maneira de jogar luz na mente dos desgovernantes deste país, e dos que ainda precisam respeitar as especificidades de pessoas, grupos e segmentos sociais. Pois é a partir da diferença que nos fortalecemos e nos enriquecemos mutuamente, sem falar que também somos consumidores natos dos mais diversos produtos colocados no mercado; sejam eles materiais ou culturais. Então, que sejamos orgulhosos de nossas conquistas, e principalmente de nossos atos dignos diante de resistência diante de tamanha violação de direitos humanos. Por isso, a luta iniciada pelos que aqui chegaram de África, precisa ter continuidade por todos: negros, brancos, indígenas quilombolas, deficientes, LGBTQIA+, etc, pois cada cidadão neste país diante do caos e retrocesso, precisa denunciar e lutar para que o nosso povo tenha no mínimo, mais dignidade e respeito. Valeu Oliveira Silveira! Salve Zumbi! Viva Dandara! Marielle, presente!

 

 

Artigo de (*) Eliane Almeida de Souza é pós-doutoranda em Educação na UFRGS e PHD em Educação Ambiental pela FURG. E-mail: negrasim2004@yahoo.com.br

 

(**)Adílio Almeida de Souza é estudante e especialista da causa indígena e vice-coordenador do Conselho Interreligioso do Instituto Apakani. E-mail: adilio@brigadamilitar.rs.gov.br

 

 

REFERÊNCIAS:

 

 

https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/violencia-em-dados/sobre-os-dados-da-violencia-contra-as-mulheres-no-brasil/

 

 

https://pt.org.br/brasil-registra-mortes-de-1-338-mulheres-por-violencia-na-pandemia/

 

 




 

 

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