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15 de outubro, Dia dos Professores e Professoras, o que temos a comemorar?

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No dia 15 de outubro é comemorado o Dia dos professores e professoras. Embora essa data seja tão festejada pelas pessoas com presentes e belas frases direcionadas aos educadores e educadoras é necessário refletirmos sobre a valorização da categoria durante esses últimos períodos que enfrentamos. Desde o golpe de 2016 com a saída da presidenta Dilma do governo enfrentamos inúmeros desmontes nas políticas públicas educacionais. Com a eleição de Bolsonaro em 2018 além das perdas de direitos, ataques a democracia, enfrentamos a todos os momentos ofensas, desqualificação dos/as profissionais em educação visando a destruição da educação pública e trazendo um projeto de privatização da educação e desvalorização dos serviços públicos em geral.

 

Nossas conquistas históricas com a luta dos movimentos socais, movimentos da juventude, sindicais e organização da sociedade em mais de 10 anos de governo de esquerda, entre os anos de 2003 a 2015, nos governos do PT, ocorreram mudanças significativas no Brasil, sobretudo, nas políticas educacionais como o Enem, Fies e Prouni, ampliação das creches públicas, universidades e institutos federais estão ameaçadas assim como os nossos bens e serviços públicos.

 

Hoje lutamos contra a emenda constitucional 95, a do teto de gastos, que limitou mais investimentos em saúde e educação, lutamos contra a PEC 32, da Reforma administrativa que reduzirá drasticamente a realização de concursos públicos e facilitará a terceirização, trazendo como consequência a fragilização da carreira do Magistério público, enfraquecendo o vínculo com a escola, com a comunidade e com as lutas sindicais por reajuste e melhores condições de trabalho. Ressalta-se que a reforma deixa de fora: MAGISTRADOS, PARLAMENTARES, MILITARES DA FORÇAS ARMADAS E MEMBROS DA CARREIRAS TÍPICAS DE ESTADO. ENFIM, OS MAIS BEM REMUNERADOS DO ESTADO NÃO SERÃO TOCADOS/AS. DESSA FORMA, NOS PERGUNTAMOS, QUAL REAL OBJETIVA E PARA QUE MESMO ESSA REFORMA? Para a educação a realidade será de diferentes níveis de vínculo e de contratação, fragmentando a categoria e expondo profissionais da Educação a mais situações de assédio moral e jornadas exaustivas.

 

Com a pandemia da covid-19, profissionais da educação do Distrito Federal e do Brasil tiveram que se submeter a uma política errática, negligente e negacionista dos governos federal e local, além de serem atacados e julgados. Escutamos aos quatro ventos do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, que os professores não querem trabalhar, que são preguiçosos, ou que fingem estar trabalhando. Além disso, as escolas adotaram o sistema remoto de forma inesperada, não houve tempo para um planejamento e formação dos/as profissionais da educação porque as medidas precisavam ser tomadas depressa para reduzir a taxa de contágio do vírus. No DF, com quase dois anos de pandemia, a internet reversa proposta e prometida pelo GDF para todos os estudantes e profissionais de educação não deu certo, não alcançou a todos e todas, sendo insuficiente para as aulas remotas se darem de maneira qualificada.

 

Enquanto isso, Bolsonaro trabalha contra os pequenos avanços e veta integralmente o PL 3477/2020 (PL da Conectividade) que garantiria serviços de Internet, especialmente móvel, e equipamentos a estudantes e professores da escola pública.

 

Nesse contexto, a categoria continua hoje com atividades híbridas sem condições sanitárias adequadas e sem acesso decente a banda larga de Internet, arcando com os custos e tendo sua vida privada invadida pela vida pública.

 

Temos que tratar a simbologia da data de hoje como dia de luta pela valorização da categoria e seu fundamental papel na transformação da sociedade. Devemos tomar o momento em que vivemos como uma oportunidade de fortalecer a organização das professoras e professores na luta contra todos os ataques buscando mais participação política para garantir não apenas o atendimento de suas demandas, mas a ampliação de sua presença no sindicato, nas ruas, nos movimentos, nos governos e parlamentos nas lutas cotidianas.

 

Desta forma, parabenizo todos os professores e professoras! Que continuemos a sonhar e buscar uma educação libertadora, participativa e baseada na nossa realidade. Nesse ano de 2021, centenário de Paulo Freire, é mais um estímulo para que sigamos firmes e fortes contra todos os retrocessos e ataques ao povo brasileiro, organizadas/os e mobilizadas/os em defesa de nossos direitos e na luta por uma sociedade mais justa e igualitária para todas e todos.

 

Apesar de Bolsonaro e Ibaneis amanhã há de ser outro dia!
Junt@s somos mais fortes!

 

(*) Gabriel Magno é dirigente sindical da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e professor da Secretaria de Educação do DF

 

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