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Amanhece sobre S. Bernardo VII

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Em publicação exclusiva para o Jornal Brasil Popular, o poeta Pedro Tierra apresenta o sexto poema da série Amanhece sobre S. Bernardo, nesta segunda-feira (24). Confira o número VII.

 

Amanhece sobre S. Bernardo

VII.

Que país seremos
depois das valas comuns?

 

Ao fim do segundo verão da peste,
se desata o tempo das valas comuns.

 

Cavadas por uma guerra surda
contra os que, ao nascer,
não trouxeram nome.
Ou tiveram seus nomes
cobertos pela cal viva
dos nomes de santos:
os que morrem de bala ou vírus
nos morros, nas favelas, nos cortiços:
os pretos, os pardos, os pobres,
os que não deveriam ter nascido…

 

Para que deles não reste memória
no coração dos filhos
– ou das testemunhas –
e dos que insistem em nascer
durante e depois da pandemia.

 

E nenhuma voz se levante,
tardia
e se atreva a cobrar do Poder
o que foi fruto da fatalidade…

 

Para que só restem cinzas,
varridas pelo vento e o olvido.
Afinal, não é hora de apontar o dedo
e buscar culpados…
No país do esquecimento
nunca é hora de nomear culpados.
Assim será mais uma vez…
Para que deles não reste memória.

 

Que país seremos depois das valas comuns?

 

 

Clique aqui nos links a seguir para acessar os capítulos anteriores:

 

Amanhece sobre S. Bernardo I

Amanhece sobre S. Bernardo II

Amanhece sobre S. Bernardo III

Amanhece sobre S. Bernardo IV

Amanhece sobre S. Bernardo V

Amanhece sobre S. Bernardo VI

(*)  Pedro Tierra – Poeta da Resistência à ditadura de ontem e ao neofascismo de hoje.

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